skip to Main Content

Prevenção de erros em procedimentos médicos: aplicação da checklist da Organização Mundial de Saúde

Um estudo retrospectivo realizado nos EUA analisou as informações do banco de dados de um Seguro de Responsabilidade Médica, no período de 2002 e 2008. Vinte e cinco pacientes realizaram cirurgias que não eram indicadas: três fizeram prostatectomias desnecessárias devido à troca de resultado de biópsia; um paciente realizou vitrectomia que tinha sido indicada para outro paciente com o mesmo nome; uma criança foi submetida à colocação de dreno timpânico ao invés de adenoidectomia.

Cento e sete pacientes realizaram procedimentos em locais errados, com uma morte durante implante de dreno torácico desnecessário. Trinta e oito pacientes tiveram dano significativo: cinco foram submetidos à cirurgia na vértebra errada, quatro receberam dreno torácico do lado errado, quatro tiveram cirurgia vascular em local indevido, quatro tiveram ressecção de segmento de intestino em local inadequado. Além disso, foram quatro ressecções de órgão por engano, seis cirurgias de membros, duas ovariectomias e duas cirurgias oftalmológicas, duas craniotomias, dois procedimentos ureterais, uma cirurgia maxilofacial e uma radioterapia.

Estudos realizados no Reino Unido mostraram resultados semelhantes. Os erros ocorreram, na maioria das vezes, por falta de comunicação, diagnóstico incorreto, ou falha de realizar uma lista de checagem final antes do procedimento. O risco de erro pode ser reduzido através de uniformização de condutas e implementação de protocolos rigorosos.

Erros na identificação do paciente e de localização da intervenção podem ser prevenidos através da criação de “barreira contra erros”, por exemplo, se o cirurgião marcar pessoalmente a área a ser submetida ao procedimento e a enfermagem conferir se a marcação confere com as informações do prontuário.

A Organização Mundial de Saúde publicou, em 2009, um checklist de Segurança em pacientes cirúrgicos, baseada em informações cruzadas.

O objetivo foi melhorar a segurança nos procedimentos cirúrgicos, melhorar a comunicação e o compartilhamento de informações. A lista foi aplicada em 9.000 pacientes nos EUA e Reino Unido e ocorreu queda significativa em complicações e mortalidade. A lista tem aplicação obrigatória na França.

Os erros ligados à identificação do paciente e local do procedimento são preveníveis por meio de protocolos rigorosos e os profissionais de saúde devem receber treinamento específico para reduzir a frequência destes erros.

Checklist de segurança cirúrgico baseado nas recomendações da OMS

Admissão (sign in):

Antes da indução anestésica, os membros da equipe (no mínimo a enfermeira e o anestesista) confirmam oralmente que:

1. O paciente verificou a sua identidade, o sítio cirúrgico, o procedimento e deu o consentimento.

2. O sítio cirúrgico está marcado ou a marcação do sítio não é aplicável.

3. O oxímetro de pulso está ligado e funcionando.

4. Todos os membros da equipe estão cientes se o paciente tem alguma alergia conhecida.

5. A via aérea e o risco de aspiração foram avaliados e o equipamento apropriado e assistência estão disponíveis.

6. Se houver risco de perda sanguínea de pelo menos 500 ml (ou 7 ml/kg em crianças) é necessário acesso venoso apropriado e fluidos de reposição disponíveis.

Pausa antes do início (time out)

Antes da incisão, toda a equipe (enfermeiras, cirurgiões, anestesistas e outros participantes no cuidado do paciente) verificam oralmente:

7. Todos os membros da equipe foram apresentados e têm o devido papel definido.

8. Confirmação da identidade do paciente, sítio cirúrgico e procedimento.

Revisão de eventos críticos antecipada

9. O cirurgião revisa passos críticos e inesperados, duração da cirurgia e perda sanguínea prevista.

10. A equipe anestésica revisa preocupações relativas ao paciente.

11. Equipe de enfermagem revisa a esterilidade e disponibilidade do equipamento e outras preocupações antecipadas.

12. Confirmação de que os antibióticos profiláticos foram administrados 60 minutos antes da incisão ou que os antibióticos não são indicados.

13. Confirmação de que todos os exames de imagem do paciente correto estão visíveis na sala cirúrgica.

Liberação (sign out)

Antes do paciente deixar a sala cirúrgica

14. O enfermeiro revisa os seguintes itens com a equipe:

15. Nome do procedimento realizado

16. Verificação que as agulhas, gazes e instrumentos utilizados estão todos completos (ou não aplicável)

17. Verificação que qualquer fragmento retirado foi identificado corretamente e que inclui o nome do paciente

18. Verificação de outros cuidados com o equipamento necessários

19. O cirurgião, a enfermeira e os anestesistas revisam oralmente as principais preocupações com o cuidado do paciente e com a sua recuperação.

Referências:

1.Juillard J. et al.Prevention of wrong-site and wrong-patient surgical errors.

Rev Prescrire July 2012: 32 (345):517-519.

2.Van Klei WA . et al.Effects of the introduction of the WHO Surgical Safety Clecklist on in-hospital mortality. A Cohort Study. Ann Surg 2012;255(1): 44-49.

Edição 033
1. Informativo: Prótese de joelho
2. Informativo: Sistema de Cirurgia Assistida por Neuronavegador
3. Informativo: Prótese de Quadril Importada
4. Informativo: Aspirador Cirúrgico Ultrassônico
5. Informativo: KITS cirurgia urológica por vídeo
6. Informativo: Piridinas
7. Unimed-BH recebe 115 novos cooperados
8. Novos médicos são recepcionados no Programa de Residência Médica da Unimed-BH
9. Prevenção de erros em procedimentos médicos: aplicação da checklist da Organização Mundial de Saúde
10. Incentivo à mamografia está entre as metas assistenciais da Unimed-BH para 2013
11. Corpo clínico da rede assistencial pode contribuir para combate à dengue em consultas eletivas
12. Acesse as Sessões Clínicas em Rede e confira o último estudo realizado pela Unimed-BH
13. Rede própria do Sistema Unimed debate indicadores do Programa Qualiss
14. Unimed-BH inaugura Centro de Promoção da Saúde na avenida Pedro I
Back To Top